Todos os países da União Europeia (UE) deverão introduzir scanners de corpo inteiro em aeroportos para melhorar a segurança, disse o chefe antiterrorismo do bloco nesta sexta-feira.

Reino Unido, Holanda, França e Itália já anunciaram planos de instalar os scanners nos aeroportos desde o atentado fracassado do dia de Natal em um voo que saiu de Amsterdã com destino a Detroit, mas não há obrigação de uso, porque Parlamento Europeu opõe-se à determinação devido a preocupações com a saúde e privacidade dos passageiros, bem como devido a custos.

Mas Gilles de Kerchove, o coordenador contra o terrorismo da UE, disse que acredita que os scanners devem ser usados em todo o bloco.

“Eu sou a favor do escaneamento completo do corpo”, disse ele. “Há uma necessidade de a UE harmonizar a implantação de revistas de corpo inteiro, porque, pelo menos, dois ou quatro Estados-membros vão começar a implantá-los.”

A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, propôs em 2008 novas regras de segurança de transportes que incluíam a introdução de scanners corporais nos aeroportos, mas a proposta foi rejeitada pelo Parlamento Europeu.

Deputados descreveram os exames, que produzem uma imagem completa do corpo sob a roupa, como “buscas com strip virtual” e um parlamentar chamou a técnica de indecente.

Mas a pressão para melhorar a segurança e reforçar as regras cresceu desde que um nigeriano de 23 anos, Umar Farouk Abdulmutallab, foi acusado de tentar detonar explosivos em um voo entre a Holanda e os EUA em 25 de dezembro.

Scanners de corpo inteiro, ao contrário dos detectores de metais normalmente utilizados nos aeroportos de todo o mundo, usam ondas de rádio para gerar uma imagem do corpo através da roupa de uma pessoa e podem mostrar armas ou explosivos escondidos.

Lembrando que a Comissão Europeia já tinha sido mostrado “convencidos da utilidade” desses scanners, Kerchove disse ao jornal francês “Le Monde” que uma segunda geração destes equipamento permite responder aos questionamentos feitos por eurodeputados. Em especial, diz ele, porque as imagens são destruídas imediatamente depois que o agente de segurança responsável tenha analisado a pessoa em seu monitor

“Existem instrumentos para evitar ferir a dignidade das pessoas pessoa”, disse ele ao jornal.

Ele pediu também ao Parlamento Europeu para concluir as negociações com os Estados Unidos sobre o compartilhamento de dados sobre passageiros para melhorar os procedimentos de controle.

Sobre a possibilidade de a UE estabelecer, como os EUA, uma lista de países cujos viajantes serão automaticamente considerados de risco, ele deu uma resposta indireta.

“Sem fazer isso, os responsáveis europeus de segurança têm uma grade de análise que lhes conduz a um maior controle e a estabelecer parâmetros de risco. Todos entendem que os fluxos são mais controlados pelo perfil de alguns países”, disse ele.

Kerchove considerou “difícil de quantificar” a ameaça terrorista na Europa, salientando que um dos riscos é alguém que “operar sozinho, sem antecedentes criminais e procure meios de ação em áreas do mundo onde o controle é fraco”.

Com Reuters e Efe