O Centro de Documentação e Memória da Unesp (Cedem) realizará no dia 21 de janeiro, em São Paulo, o 2º Encontro dos Descendentes dos Imigrantes de Schio no Brasil, com pesquisas que promovem a busca por dados que ajudem na identificação de pessoas originárias da cidade italiana da região de Vêneto.

Estudos já identificaram cerca de 16 mil descendentes dessa cidade europeia. “Esse número aumenta a cada dia devido ao interesse dos próprios descendentes, que buscam pelos sobrenomes das famílias em nosso site”, afirma Antônio Folquito Verona, coordenador do encontro e autor das pesquisas.

De 1891 a 1895, cerca de 300 famílias saíram dessa cidade rumo ao Brasil. “Diferentemente da maioria dos imigrantes italianos, que eram trabalhadores rurais, esses eram operários da indústria têxtil”, relata Verona, que também é professor da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Assis.

A maioria dessas pessoas era empregada da fábrica de tecidos Lanifício Rossi. “Após uma série de greves e conflitos trabalhistas, cerca de 13% da população daquela cidade italiana emigrou, boa parte dela para o Brasil, Suíça e EUA, além da Austrália.”

Para Angelo Trento, um dos maiores especialista em imigração italiana para o Brasil, uma das razões para o país ter se tornado um destino recorrente era que o governo brasileiro pagava a passagem. Outro fator, ainda mais decisivo, eram as correntes migratórias, que são os fluxos de pessoas da mesma cidade que vão para um lugar e influenciam outros a irem também. “Isso facilitava a ida do emigrante porque representava a possibilidade de apoio e cooperação do outro lado do oceano.” Trento é professor aposentado da Università degli Studi di Napoli “L’Orientale”, em Nápoles, Itália, e ministrará uma palestra durante o encontro.

Trajetória

Para identificar as famílias, a partir de 1990, o professor Verona passou a reunir dados da prefeitura de Schio e da província de Vicenza, em Vêneto, além de arquivos do Lanifício Rossi. Ele cruzou as informações obtidas com as existentes no Memorial do Imigrante, no Arquivo Municipal de São Paulo e no Arquivo do Estado de São Paulo. Também consultou documentos em outros estados e contou com financiamento do município de Schio para a realização de pesquisas na Itália e no Rio Grande do Sul.

Das mais de trezentas famílias que saíram da cidade italiana rumo ao Brasil, 157 ainda não tiveram a identificação de seus destinos e locais de desembarque. Entre as identificadas, a maior parte se instalou em São Paulo, mas poucas puderam continuar no ofício de tecelão. A maioria foi empregada nas lavouras de café, que tinham grande necessidade de mão-de-obra.

O segundo destino escolhido por esses imigrantes foi o Rio Grande do Sul, corrente que vai dar origem a Galópoles, um vilarejo da cidade de Caxias do Sul. No local foi criada a Cooperativa Industrial Têxtil, mais tarde transformada no Lanifício São Pedro. “A instalação de uma tecelagem em meio ao ambiente rural ocasionou um movimento que, mais tarde, tornaria Caxias do Sul o conhecido pólo industrial dos dias atuais”, diz Verona.

O Rio de Janeiro também foi um destino importante, sobretudo o distrito de Cascatinha, na cidade de Petrópolis. Dados de 1906 informam que, no local, a Companhia Petropolitana, única fabricante de tecidos de seda no Brasil naquela época, empregou 1.100 funcionários, quase todos italianos. “Muitos imigrantes de Schio foram contratados porque detinham um conhecimento sobre a indústria têxtil que os demais italianos desconheciam, por serem, em sua maioria, trabalhadores rurais”, relata o professor.

Uma minoria dos imigrantes foi para Minas Gerais e para o Espírito Santo. O isolamento territorial e o distanciamento das demais famílias que vieram da Itália dificultaram a localização de registros que apontem quais atividades econômicas esse grupo desenvolveu.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

08h30 – 09h – Recepção dos participantes

09h – 09h30 – Mesa de Abertura – Coordenador: Dr. Antonio Folquito Verona (UNESP – Campus de Assis);

09h30 – 11h – Conferência Magistral: “A imprensa operária italiana em São Paulo, do final do séc. XIX ao início da década de 1920” – Coordenadora: Dra. Tânia Regina de Luca (UNESP – Campus de Assis);

Conferencista: Dr. Angelo Trento (Università di Napoli “L’Orientale”).

11h – 11h15 – Coffee-break

11h15 – 13h – Mesa redonda: “A presença italiana no Estado de São Paulo” – Coordenadora: Dra. Cátia Inês Negrão Berlini de Andrade (UNESP – Campus de Assis);

Expositores:

– Carlos Felipe da Silva dos Santos (Discente – UNESP – Campus de Assis – orientando do Prof. Antonio Folquito Verona) A imigração italiana em São Paulo e sua contribuição no aspecto cultural e religioso.

– Dra. Edilene Toledo (UNIFESP – Campus de Guarulhos): Os Sindicalistas Revolucionários italianos em São Paulo no início do século XX.

– Dr. Luigi Biondi (UNIFESP – Campus de Guarulhos): Os significados da militância transnacional: Anarquistas, Socialistas e Republicanos italianos em São Paulo, na Primeira República.

– Dra. Soraya Moura (Memorial do Imigrante – São Paulo): Hospedaria de Imigrantes no contexto da imigração para o Estado de São Paulo.

13h00 – 14h30 – Almoço de confraternização e foto histórica do evento.

14h30 – 16h30 – Mesa redonda: Com a palavra os descendentes dos imigrantes de Schio no Brasil (fala um representante por família presente).

Coordenador: Dr. Silvério Crestana (São Paulo);

16h30 – 16h45 – Coffee-break 16h45

17h – Encerramento

Centro de Documentação e Memória da UNESP (CEDEM) – Praça da Sé, 108 – 1o. andar – proximidades da Estação Sé do Metrô, São Paulo.

Tel./Fax (11) 3105-9903

Assessoria de Comunicação e Imprensa UNESP